blog do professor edson scabora

familia, educação, liderança, motivação.

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Terra Blog

Categoria: vestibular

26.11.07

Qual ditador matou mais em todos os tempos?

Confira uma biografia dos 10 mais cruéis matadores da história

1) Mao Tsé-tung (ou Mao Zedong)
VÍTIMAS: 77,000,000
NOME DO DITADOR: Mao Tsé-tung (1893-1976)
PAÍS: China
NÚMERO DE MORTES: 77,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Execuções, assassinatos e políticas econômicas desastradas que mataram de fome parte da população


2) Joseph Stalin
VÍTIMAS: 43,000,000
NOME DO DITADOR: Joseph Stalin (1879-1953)
PAÍS: União Soviética
NÚMERO DE MORTES: 43,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Assassinatos, perseguições étnicas


3) Adolf Hitler
VÍTIMAS: 21,000,000
NOME DO DITADOR: Adolf Hitler (1889-1945)
PAÍS: Alemanha
NÚMERO DE MORTES: 21,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Guerra, campos de extermínio 



4) Kublai Khan
VÍTIMAS: 19,000,000
NOME DO DITADOR: Kublai Khan (1215- 1294)
PAÍS: Mongólia
NÚMERO DE MORTES: 19,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Guerra, assassinatos

5) Imperatriz Cixi
12,000,000
NOME DO DITADOR: Imperatriz Cixi (1835 - 1908)
PAÍS: China
NÚMERO DE MORTES: 12,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Repressão a rebeliões da população


6) Leopoldo II
10,000,000
NOME DO DITADOR: Leopoldo II (1835 – 1909)
PAÍS: Bélgica
NÚMERO DE MORTES: 10,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Guerra, fome, assassinatos



7) Chiang Kai-shek
VÍTIMAS: 10,000,000
NOME DO DITADOR: Chiang Kai-shek (1887 - 1975)
PAÍS: República da China (Nacionalista) e Taiwan
NÚMERO DE MORTES: 10,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Guerra, massacres


8) Genghis Khan
VÍTIMAS: 4,000,000
NOME DO DITADOR: Genghis Khan (1162-1227)
PAÍS: Mongólia
NÚMERO DE MORTES: 4,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Guerras, massacres


9) Hideki Tojo
VÍTIMAS: 4,000,000
NOME DO DITADOR: Hideki Tojo (1884-1948)
PAÍS: Japão
NÚMERO DE MORTES: 4,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Guerra, massacres, fome


10) Pol Pot
VÍTIMAS: 2,000,000
NOME DO DITADOR: Pol Pot (1925-1998)
PAÍS: Camboja
NÚMERO DE MORTES: 2,000,000
MODUS OPERANDI PRINCIPAL DAS MORTES: Massacres, fome


22.11.07

O império americano em declínio

Ao contrário das aparências, os Estados Unidos já não ditam suas ordens ao mundo. De fato, os últimos acontecimentos indicam o surgimento de um outro mundo, um mundo no qual a hiperpotência americana já não consegue mais impor sua vontade. Essa é a posição, marcadamente polêmica, do cientista político e historiador econômico Immanuel Wallerstein.

Da hegemonia à perda de poder






Ao contrário das opiniões correntes que afirmam haver uma só potência no mundo de hoje, os Estados Unidos, tidos como poder unipolar, Wallerstein assegura que essa situação de soberania onipotente dos norte-americanos sobre o mundo já passou. Na verdade, para ele a hegemonia de Washington somente se consagrou e foi realidade entre os anos que se seguiram a Segunda Guerra Mundial até o fim da Guerra do Vietnã (mais ou menos de 1945 a 1975), quando então sim era a Casa Branca quem ditava sua vontade ao planeta inteiro.

A origem dessa situação de superioridade absoluta vinha do Tratado de Yalta, de 1944. Naquela ocasião, os chamados Três Grandes (Franklin D.Roosevelt pelos EUA, Winston Churchill pela GB e Joseph Stalin pela URSS), reunidos no sul da Rússia, acertaram a partilha do mundo, dividindo-o em duas áreas de influência. Uma delas ficou sob o controle dos países capitalistas, liderados pelos norte-americanos, e a outra pelos soviéticos. Ocorre que aquela divisão não foi eqüitativa, cabendo aos Estados Unidos uma área bem maior, correspondente a 2/3 da terra inteira. Além disso, a moeda americana tornou-se referência de valor internacional, permitindo a que a população norte-americana, ainda que perfazendo apenas 6% dos habitantes da terra tivessem uma economia que correspondia em volume a 25% do mundo inteiro.

Em grande parte aquela situação foi excepcional devido os efeitos da Segunda Guerra Mundial. Quando o nazi-fascismo germano–italiano e o mikado japonês foram finalmente derrotados em 1945, a maioria dos países industrializados soçobrava em ruínas. Na Grã-Bretanha, na França, na Itália, na Alemanha, no Japão e na URSS, as fábricas estavam arrasadas ou imensamente desgastadas pelo esforço de guerra, o sistema de transportes e comunicações estava desmantelado ou parcialmente paralisado, cidades inteiras haviam desaparecido vitimas de intensos bombardeios aéreos, milhares , se não milhões, de civis qualificados haviam sido mortos e a riqueza nacional existente antes de 1939 havia simplesmente evaporado. (*)

Nas grandes capitais do após-guerra o dinheiro fora substituído pelo mercado negro, onde imperava um retorno ao escambo em meio a um quadro dantesco de fome, desalento e decadência.

Apresentou-se então para os Estados Unidos uma situação inédita. Os seus principais produtores, seus agentes econômicos, praticamente ficaram sem concorrentes. Se bem que a URSS fosse uma potência militar e nuclear nada desprezível, ela não impunha nenhuma ameaça à hegemonia econômica americana sobre a maior parte do mundo.

(*) Apenas como um exemplo do quadro devastador da situação do pós-guerra, basta lembrar que a Alemanha, que antes da guerra era uma das maiores potências industriais do mundo, teve em 1946 seu setor pesado reduzido a 50¨% do que era em 1938, sendo que 1.500 das suas outrora grandes plantas industriais haviam sido totalmente desmanteladas.

(*) Apenas como um exemplo do quadro devastador da situação do pós-guerra, basta lembrar que a Alemanha, que antes da guerra era uma das maiores potências industriais do mundo, teve em 1946 seu setor pesado reduzido a 50¨% do que era em 1938, sendo que 1.500 das suas outrora grandes plantas industriais haviam sido totalmente desmanteladas.


O Plano Marshall e seus efeitos






Para dinamizar ainda mais suas potencialidades, o governo do presidente Harry Truman (1945-1952) lançou em 3 de abril de 1948 o Plano Marshall, disponibilizando a partir daquela data às nações arruinadas a então significativa soma de U$ 13 bilhões para que elas pudessem adquirir manufaturas vindas da América, bem como recompor suas economias internas. As importações européias concentraram-se em matérias-primas, produtos semifaturados, alimentos, suprimentos, fertilizantes, máquinas, veículos e equipamentos, além de óleo cru.

Ainda que ofertassem recursos para a URSS, os soviéticos os rejeitaram bem como vedaram o mesmo aos países sob sua órbita de influência, como foi o caso da Tchecoslováquia e da Polônia, que passariam a ser apoiados pelo Plano Molotov.

O Plano Marshall foi um estrondoso sucesso, mas também marcou o começo do recuo dos Estados Unidos, pois os "milagres econômicos" que se seguiram aos anos de guerra, os "Trinta Anos Gloriosos", no dizer dos franceses (1950-1980), permitiram aquelas nações, especialmente aos europeus e ao Japão, se recuperarem e dependerem um tanto menos dos norte-americanos.


A Subversão do Mundo Colonizado






Todavia esse cenário marcado pela rígida divisão do mundo em duas áreas de influência, com fronteiras ideológicas bem demarcadas e respeitadas tanto pelos americanos como pelos soviéticos começou a ser desafiado pelas rebeliões que principiaram a ocorrer no antigo império colonial europeu. Na Ásia, na África, no Oriente Médio, os povos até então submetidos à meia dúzia de metrópoles européias, deram para sacudir o jugo e lutaram para alcançar a independência. China, Índia, Argélia, Vietnã e Cuba, entre tantas outras, romperam com o controle externo exercido pelos governos estrangeiros. Alguns caminhos deles foram revolucionários outros não, mas no final meia centena de países politicamente autônoma brotou das ruínas dos antigos impérios coloniais europeus. Muito deles associaram-se então como Países Não-alinhados manifestando desejar ficar distanciados do conflito americano-soviético. Reunidas em Bandung, na Indonésia, 29 dessas ex-colonias, lideradas pela Índia, Egito, China e Iugoslávia, procuraram estabelecer uma estratégia em comum que as libertasse das amarras impostas pela Guerra Fria.

A ordem política originada de Yalta então foi abalada. Para os Estados Unidos o sinal do seu declínio chegou com a derrota na Guerra do Vietnã (1965-1975), que implicou entre outras coisas no abandono do gold standard, do padrão ouro acertado primeiramente na Conferencia de Bretton Woods, de julho de 1944 (que dava garantias extraordinárias ao dólar norte-americano, fixando cada onça de ouro em U$ 34), e que foi publicamente anunciado pelo governo do presidente Richard Nixon em agosto de 1971.

Até aquela ocasião qualquer país que tivesse dólares em seus cofres contava com a garantida dada pelo Tesouro dos Estados Unidos que poderia cambia-los por ouro assim que necessitassem. A negativa norte-americana a tal obrigação jogou boa parte do mundo numa onda inflacionária que se acirrou ainda mais com a crise do petróleo desencadeada pela OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 1973.

Deste modo, em resumo, a formação dos Países Não-alinhados a partir de 1955, a recuperação econômica dos seus aliados atingidos pela guerra alcançada nos anos 60, e o abandono do lastro ouro para com o dólar, em 1971, decorrente do fiasco militar no sudeste asiático, acabaram por encurtar o espaço da influência que os Estados Unidos exercia sobre todos os demais

O empate, a derrota, a seleção e a regência

categorias: educação, vestibular
Brasil e Uruguai jogam nesta quarta-feira à noite pelas eliminatórias para a Copa de 2010.

O Brasil vem de um empate com o Peru, o que aumenta a expectativa para o desempenho da seleção.

Trecho de matéria sobre o assunto:

- Se empatar ou perder da Celeste, o time do técnico Dunga vai ter o pior início de torneio desde o novo formato, inaugurado na edição que assegurava vaga na Copa de 1998.

O problema do trecho é de regência.

Uma das regras sobre o assunto diz que verbos de regências diferentes não podem compartilhar o mesmo complemento.

Um exemplo hipotético:

- Eu gosto e estudo língua portuguesa

"Gostar" é transitivo indireto (gosto de algo ou alguém) e "estudar", transitivo direto (estudo algo).

Como possuem regências distintas, não poderiam compartilhar o trecho "língua portuguesa".

Uma possível solução seria:

- Eu gosto de língua portuguesa e a estudo

Vale o mesmo raciocínio para o trecho da reportagem sobre a seleção brasileira.

Eu empato com alguém (com a preposição "com") e perco de alguém (preposição "de").

Uma forma de reescrita seria:

- Se empatar com a Celeste ou perder dela, o time do técnico Dunga vai ter o pior início de torneio desde o novo formato, inaugurado na edição que assegurava vaga na Copa de 1998

Só para registro: Celeste Olímpica é o nome como também é conhecida a seleção uruguaia.

John F. Kennedy

categorias: educação, vestibular
John Fitzgerald Kennedy representava uma nova era de esperança, paz e prosperidade para os americanos. A sedução que exerceu sobre os americanos devia-se à sua capacidade de estimular seus ouvintes, em aumentar a confiança no país e a esperança no futuro. Como um democrata, Kennedy levava uma mensagem de respeito aos direitos civis e sociais.

Kennedy nasceu no Estado de Massachusetts, um dos maiores redutos democratas dos EUA, em 1917. Após sua formatura em Harvard em 1940, ele entrou para a Marinha. Em 1943, seu torpedeiro foi afundado por um destróier japonês e Kennedy, ferido, conduziu os sobreviventes até um local seguro.

Após voltar da guerra, ele se tornou um congressista democrata pela região de Boston, avançando em 1953 para o Senado. Enquanto se recuperava de uma cirurgia nas costas em 1955, ele escreveu "Profiles in Courage", que conquistou o Prêmio Pulitzer em história.

Em 1960, surpreendendo o meio político norte-americano, o jovem senador conquistou a indicação democrata para a presidência da república. Naquele ano, todos consideravam uma barbada a eleição do vice-presidente republicano Richard Nixon.

Mas a mensagem de otimismo de Kennedy, aliada à sua competência nos debates presidenciais (que foram transmitidos ao vivo pela primeira vez) contribuíram para uma virada espetacular e sua vitória. Kennedy se tornou o primeiro presidente americano católico.

Seu discurso de posse apresentava o preceito memorável: "Não pergunte o que seu país pode fazer por você -pergunte o que você pode fazer por seu país". Como presidente, seus programas econômicos lançaram o país no maior crescimento sustentado desde a Segunda Guerra Mundial.

Kennedy agiu vigorosamente na causa da igualdade de direitos, pedindo por uma nova legislação de direitos civis. Com a Aliança para o Progresso e as Peace Corps (força da paz), ele empregou o idealismo americano na ajuda aos países em desenvolvimento. Mas persistia a dura realidade da guerra fria.

Kennedy permitiu que um grupo de exilados cubanos, já armados e treinados, invadisse sua terra natal. Essa tentativa de derrubar o ditador Fidel Castro, a invasão da Baía dos Porcos, fracassou.

Em seguida, a União Soviética retomou sua campanha contra Berlim Ocidental. Kennedy reforçou a guarnição em Berlim e aumentou a força militar na Alemanha Ocidental, incluindo novos esforços na corrida espacial.

Confrontada com esta reação, Moscou reduziu a pressão sobre a Europa, mas buscou instalar mísseis nucleares em Cuba. Quando isto foi descoberto por um reconhecimento aéreo em outubro de 1962, Kennedy impôs um bloqueio naval a todos os mísseis nucleares destinados a Cuba. Os soviéticos recuaram e concordaram com a retirada dos mísseis.

Kennedy passou a argumentar que ambos os lados tinham interesse vital em impedir uma proliferação de armas nucleares e em desacelerar a corrida armamentista -uma posição que levou ao tratado de proibição de testes de 1963.

Os meses que se seguiram à crise de Cuba mostraram um progresso significativo na busca de sua meta de "um mundo de lei e livre escolha, banindo a guerra e a coerção". Seu governo viu assim o início de uma nova esperança tanto de direitos iguais entre americanos quanto de paz mundial.

Kennedy era praticamente um ídolo nacional quando foi brutalmente assassinado em 22 de novembro de 1963. De acordo com a historiografia oficial, Kennedy foi morto pelas balas de um assassino enquanto desfilava em carro aberto por Dallas, Texas.

Entretanto, há historiadores que sustentam a tese da conspiração: Kennedy teria contrariado profundamente os interesses de indústrias bélicas e de militares ao lutar pelo fim da corrida armamentista. Como resposta, industriais e militares poderosos teriam tramado a morte do presidente.

A morte de Kennedy provocou comoção dentro e fora dos EUA. Para os americanos, ficou a impressão de que o futuro de paz, prosperidade e igualdade representado por Kennedy jamais seria alcançado.

Guerra de Canudos

categorias: educação, vestibular
Entre 1896 e 1897, o Estado brasileiro empreendeu uma guerra no sertão baiano, cujo alvo era um pequeno povoado de agricultores. O episódio, conhecido como Guerra de Canudos, terminou com um grande massacre dos moradores de Canudos, como o arraial era conhecido. Sua importância história é muito grande, pois revela o descompasso existente entre dois Brasis: o das elites que o governam e impõem seus interesses políticos e econômicos ao povo, e o deste último - pobre, atrasado, ignorante, mas decidido, aferrado ao trabalho e às suas crenças, pronto para resistir quando julga necessário.

Por volta de 1870, o beato Antonio Vicente Mendes Maciel surgiu no semi-árido nordestino, perambulando entre o Ceará, Pernambuco e Bahia. Pregando o cristianismo entre as populações de pequenas cidades, sobretudo aquelas castigadas pelas secas sucessivas que assolavam com freqüência o sertão. Sua popularidade rapidamente se espalhou, e sua alcunha - Antônio Conselheiro - logo seria reconhecida por toda a região, o que lhe renderia rapidamente centenas de seguidores.

À margem de um rio e de um país
A fundação da vila de Canudos às margens do pequeno rio Vaza-Barris, no semi-árido baiano, atraiu uma população que não parava de crescer. Sertanejos afluíam de vários estados nordestinos, em busca de melhores condições de vida. Seduzidos pelas palavras do Conselheiro, dedicavam-se a uma nova vida em comunidade. A pequena cidade, dedicada inicialmente à criação de gado e ao curtume, desenvolveu-se à margem do poder público, sem circulação de moedas e sem autoridades legalmente constituídas, permanecendo alheia ao controle do Estado. Em 1896 o vilarejo já contava com mais de 15 mil habitantes.

Aos poucos, a imagem de Conselheiro foi-se difundindo para além da região do semi-árido, sempre envolta em lendas milenaristas e messiânicas, o que desagrava autoridades civis e eclesiásticas. Em 1895, Canudos recebeu a visita de uma missão da Igreja, por ordem do Arcebispo de Salvador, após o quê, difundiu-se a imagem de que se tratava de um povoado monarquista, liderado por "perturbadores da ordem" (republicana, recém instalada).

Primeiro combate
Por essa época, a população de Canudos estava empenha em construir uma nova igreja para a cidade, em virtude da insuficiência da antiga para tantos fiéis. Assim, havia-se encomendado a compra de material - sobretudo madeiras - na importante cidade de Juazeiro, no norte da Bahia. Como as mercadorias não foram entregues, o Conselheiro organizou uma ida a Juazeiro, com alguns homens, na intenção de buscar o material que lhe era devido.

Na cidade, espalhou-se um boato de que os homens de Conselheiro iriam invadi-la, o que levou as autoridades locais a solicitar reforços à polícia da capital. Em pouco tempo, deu-se o primeiro conflito entre os homens de Canudos e as tropas do governo. Sem dispor de muitos armamentos, mas valendo-se do conhecimento da região, os "conselheristas" impuseram vergonhosa derrota às forças do Estado, confiscando-lhes as armas. Iniciou-se assim, em fins de 1896, aquela que ficaria conhecida como a "Guerra de Canudos", uma das páginas mais vergonhosas da história militar brasileira.

Uma nova expedição militar foi destacada para a região do Vaza-Barris. Mobilizava 500 homens e tinha a sua disposição três modernas metralhadoras e três canhões. No entanto, usando táticas de tocaia e as armas obtidas no primeiro conflito, os homens de Canudos obtiveram nova vitória.

A resistência sertaneja
Logo organizou-se uma terceira expedição, que ficou a cargo do coronel Moreira César, que já havia enfrentado anteriormente a Revolução federalista em Santa Catarina - onde recebeu o significativo apelido de "o corta cabeças". Dispunha-se agora de 1.200 soldados e de mais quatro modernos canhões Krupp. Após resistir a um bombardeio de duas horas e diversos ataques de infantaria, os homens de Canudos impuseram nova derrota às tropas do exército, sobretudo após a morte do experiente Moreira César.

A incrível resistência de Canudos frente ao poderio do exército brasileiro tornou-se, em inícios de 1897, assunto nacional. O jornal O Estado de São Paulo fez comparecer um correspondente ao palco da guerra, incumbido de noticiar o desenrolar da campanha em que se envolvera o exército nacional. Tratava-se do engenheiro e militar Euclides da Cunha, que em 1902 lançaria o livro Os Sertões, dramático relato não apenas das batalhas, mas uma fantástica descrição dos aspectos naturais e sociais da região.

Euclides da Cunha e "Os Sertões"
Em abril daquele mesmo ano, organizou-se uma expedição grandiosa, comandada pelo general Artur de Andrada Guimarães e composta por mais de 6 mil soldados, recrutados em diversos estados do Brasil. Os homens de Canudos resistiram até outubro de 1897, quando as tropas federais obtiveram êxito em arrasar a cidade e praticamente dizimar todos os seus homens.

Ao fim de sua obra-prima, Euclides da Cunha registrou que "Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados".

Triste fim de uma população cujo único pecado foi o anseio de viver à margem, numa sociedade desigual e excludente.