blog do professor edson scabora

familia, educação, liderança, motivação.

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Terra Blog

Arquivo de: Novembro 2007, 03

03.11.07

O vestibular está chegando...

Faltam menos de 30 dias para o vestibular.

Força moçada que tudo vai dar certo.

O que evitar na redação

categorias: vestibular

1) Emprego de pronome relativo

"Esta é a região a cujos os limites me referi há pouco"
Correção: Esta é a região a cujos limites me referi há pouco.
Comentário: cujo - pronome relativo: indica posse, equivale ao pronome possessivo seu, sua e concorda com o termo que sucede, dispensando, assim, o emprego do artigo (o, a, um, uma e seus plurais).


Você vai conseguir falar com gente que você nunca falou antes..." Bol - Brasil Online (Folha de S.Paulo, 25.10.99)
Correção: " (...) falar com gente com quem/ com as quais você nunca (...)".
Comentário: o pronome relativo deve aparecer regido de preposição com, pois quem fala, fala com alguém.


Os bancos internacionais, onde o Brasil é credor, decidiram rever as taxas de juros.
Correção: Os bancos internacionais, dos quais o Brasil é credor, ...
Comentário: o pronome onde, enquanto relativo deve sempre indicar lugar, exemplo, Eis o colégio onde estudo. O raciocínio que deve ser empregado neste exemplo é: o Brasil é credor de quem? - dos bancos internacionais; portanto, dos quais é credor.

2) Período longo demais
A menos que tenha muita segurança no que está dizendo, o aluno deve evitar períodos longos demais. Muitas informações em um só período quase sempre resulta em falta de clareza e ambigüidade.


"É segundo esta noção de projeto que vamos, a partir desta visão humanista da problemática urbana - sem deixar de levar em consideração as nossas condições de país de formação colonial - analisar os projetos de cidade expressos nos trabalhos de diversos órgãos federais."
Correção: Vamos analisar os projetos expressos nos trabalhos de diversos órgãos federais a partir de uma visão humanista da problemática urbana.

3) Frases muito curtas - estrutura incompleta

"Agora, época de eleição, a população cansada de enriquecer políticos, sem escolha de partido." (Redação de aluno)
Comentário: o trecho acima não foi concluído pelo aluno, dessa forma, a estrutura do período tornou-se incompleta.
Correção: Agora, época de eleição, a população cansada de enriquecer políticos, sem escolha de partido, fica à mercê de discursos moralistas que visam formar a opinião pública segundo os seus interesses.

4) Problemas de significado e construção

"Era um belo sábado, uma noite muito agradável onde um lobo ruiva no alto da colina dos Andes, demonstrando estar solidário ou anunciando sua solidão...." (Redação de aluno)
Comentário: O trecho acima, extraído de uma redação de vestibular, apresenta alguns problemas de significado e de construção:
a) uso inadequado da palavra onde;
b) imprecisão vocabular ruiva em lugar de uiva e solidário em lugar de solitário;
c) incoerência externa: presença de colinas nos Andes.

5) Ambigüidade

Aço metálico desbanca o ferro

categorias: vestibular
Era o sonho do famoso conquistador. Na época, o alumínio custava mais do que o ouro. Por que se é o terceiro elemento mais abundante na crosta terrestre? O processo de obtenção era caro. Aquecia-se o cloreto de alumínio com potássio metálico e, mais tarde, com sódio metálico. Potássio e sódio são metais muito reativos. Um pedaço de potássio ou de sódio em contato com a água pode causar até uma explosão. Imagine a dificuldade de usar esses metais para obter o alumínio.

O sonho de Napoleão, na verdade, era fazer armas de alumínio para os seus soldados, muito mais leves que as de ferro. Prometeu um prêmio a quem conseguisse obter o metal por um método barato. Um professor de química contou isso a seus alunos. Um deles, Martin Hall, americano, 22 anos, conseguiu obter uma bolinha de alumínio. Fez isso passando corrente elétrica numa mistura derretida de óxido de alumínio e um minério chamado criolita. Obteve o alumínio metálico fazendo, com baterias caseiras, uma eletrólise no estado fundido. Esse processo foi descoberto também na França por Louis Tossaint Herroult, 22 anos.

Eles não trocaram nenhuma correspondência entre si. Há mais coincidências. Os dois nasceram no mesmo mês do mesmo ano, fizeram a descoberta na mesma época e morreram no mesmo mês do mesmo ano. O processo ainda hoje é o método industrial. O alumínio, comparado ao ferro, ainda é muito caro, por causa do uso de muita eletricidade na sua fabricação. Para reduzir o custo, as indústrias de alumínio fazem a reciclagem do metal, fundindo-o, que é mais barato. O alumínio funde a 660ºC, muito mais baixo que o ferro (1.535ºC).

Três características do alumínio metálico ajudam esse metal a desbancar, cada vez mais, o ferro: a sua baixa densidade, o fato de não sofrer corrosão e a sua facilidade de formar ligas. A densidade do alumínio é um terço da do ferro (um pedaço de ferro é três vezes mais pesado que um de alumínio de mesmo tamanho). Todo alumínio metálico tem na superfície uma película finíssima de óxido de alumínio, que se forma espontaneamente pela exposição ao ar. O óxido protege o metal porque é muito duro, aderente a ele e impermeável ao ar. Além disso, forma grande variedade de ligas (com magnésio _usado na construção de aviões_, zinco, cobre, crômio, níquel etc.).

O processo Hall-Herroult foi um grande sucesso comercial. Quando Hall e Herroult morreram, com 51 anos, o alumínio estava tão barato que dava para comprar um quilo do metal com quatro moedinhas de dez centavos atuais e ainda vinha troco!

A diferença entre média aritmética e geométrica

categorias: vestibular
Nos dois últimos anos o faturamento de uma empresa cresceu 22,5% no primeiro e 60% no segundo. Em média, quanto cresceu por ano? Ao responder essa questão, muitos pensam na média aritmética: (22,5% + 60%)/2 = 41,25%

Será que se o crescimento tivesse sido de 41,25% a cada ano, teria produzido o mesmo efeito? Pois é esta a questão que se coloca quando se pede uma média: deve ser o número que, colocado em lugar de cada número dado, produz o mesmo efeito que aqueles produziram.

Partindo de um faturamento de R$ 100, um aumento de 22,5% o eleva para R$ 122,50 e, sobre este último, um aumento de 60% o eleva para R$ 196. Repetindo o raciocínio com a média aritmética, os R$ 100 aumentados de 41,25% viram R$ 141,25, que aumentados novamente de 41,25% viram R$ 199,52 -portanto não chegando aos mesmos R$ 196.

E como resolver a questão? Que média devemos calcular?
Veja: partindo de 100 multiplicamos por 1,225 (que é 1 + 22,5%) e depois por 1,60 (que é 1 + 60%) para chegar aos 196.

O que precisamos descobrir é uma taxa t (taxa média) de modo que partindo de 100 e multiplicando por (1 + t), depois novamente por (1 + t), cheguemos aos mesmos 196. Daí, o que queremos é descobrir t na equação (1 + t) (1 + t) = 1,225 x 1,60, ou seja, (1 + t) é a média geométrica de 1,225 e 1,60.

Extraindo a raiz quadrada em ambos os membros da equação obtemos 1 + t = 1,40, logo a taxa média é 40%. Confira: partindo de R$ 100, um aumento de 40% eleva para R$ 140 e com outro aumento de 40% chegamos aos R$ 196.

Recordemos: média aritmética de n números é a soma dos n números dividida por n; média geométrica de n números positivos é a raiz enésima do produto dos n números; média harmônica de n números não nulos é o inverso da média aritmética dos inversos desses números; média ponderada de n números é a soma dos produtos de cada número pelo seu peso, dividida pela soma dos pesos.

Na primeira fase do campeonato brasileiro de futebol de 1998 cada equipe realizou 23 jogos; em 1999 foram 21 jogos. Pelo regulamento deste ano, seria rebaixado o clube que tivesse a menor média de pontos nos dois campeonatos, assim calculada: 1º) toma-se a média de pontos por jogo de 1998 e a de 1999; 2º) calcula-se a média aritmética dessas duas médias. Por esse critério, um jogo de 1999 tem peso maior do que um de 1998. Por quê?

(Ao descobrir tal fato, cartolas de clubes ameaçados pelo rebaixamento já falavam em "reinterpretar" o regulamento -não pensaram antes no que estavam assinando. Vale-lhes a lição: média -é preciso saber escolher a mais conveniente...)

Liberalismo burguês reorganiza sociedade

categorias: vestibular
O período histórico denominado Idade Moderna, que se estendeu aproximadamente do século 15 até meados do século 18 na Europa, organizava-se em um sistema chamado Antigo Regime e caracterizava-se pelo Absolutismo, Mercantilismo e Sociedade Estamental.

No Absolutismo, o poder real era considerado de origem divina, concentrando-se, assim, nas mãos dos monarcas.

O princípio da lógica social era baseado na origem de nascimento, determinando uma organização onde não havia mobilidade social, já que esse dado não podia ser alterado.

Por exemplo, se o indivíduo nascesse em uma família nobre, teria até o final de seus dias um lugar privilegiado socialmente, o que lhe garantiria direitos políticos diferenciados.

Essa concepção de valores interferiu, inclusive, no desenvolvimento das atividades econômicas, predominantemente comerciais, que dependiam da legalização do monarca para serem realizadas.

Numa economia baseada no princípio do monopólio, era o Estado quem fazia ou não as concessões comerciais.

A atividade comercial era desenvolvida pela burguesia, cuja origem social remonta ao campesinato medieval. Portanto, por mais que a burguesia se desenvolvesse e adquirisse importância econômica, sua origem social humilde atuava como uma barreira no que se referia aos privilégios sociais, criando uma progressiva insatisfação na mesma, que culminou com a Revolução Francesa em 1789.

O rompimento com a nobreza e a implantação de uma ordem social, denominada liberal burguesa, inaugurou novos parâmetros, onde o poder econômico passou a determinar o status social dos indivíduos em detrimento da origem de nascimento, definindo a forma de estruturação das sociedades capitalistas contemporâneas.

Os princípios liberais foram importantes na América Latina, estimulando e embasando os processos de independência, porém sendo adaptados aos contextos locais.

No Brasil, a elite agrária incorporou esses ideais e passou a buscar o fim do pacto colonial. Porém, manteve inalterada a estrutura social interna, baseada na escravidão, fonte de riqueza para essa elite, adaptando, assim, as idéias liberais aos seus interesses de classe social. O fim do pacto colonial garantiu o status de nação independente ao Brasil, embora estruturalmente não tenham ocorrido mudanças, já que o principal limite do liberalismo brasileiro tenha sido a propriedade de bens, caracterizada pelo latifúndio e escravidão.