Continua...II
A segunda coisa importante da vida é a revolta. O segundo fantasma: “A vida sem revolta é como as estações sem primavera; e a revolta sem a razão é como a primavera no deserto, raso e infecundo. A vida, a revolta e a razão são três corpos numa só natureza, onde não cabe dissolução nem mudança”.
A revolta, é uma outra coisa muito importante da vida. A revolta no sentido de se inconformar, se indignar, com a situação em que nos encontramos, ter vontade de mudar . Não se conformar, mas se revoltar, para crescer, para melhorar.
Saadi, um poeta persa, dizia: “assenta-te, e não se encostes ao banquete da vida”.
Tudo o que nós somos hoje, tudo o que nós temos hoje, tudo o que nós perdemos, tudo o que nós ganhamos, é a colheita do que plantamos no passado. É o resultado da nossa movimentação, da nossa revolta, ou da nossa acomodação, da nossa preguiça.
Quem nasceu pela vida em branca nuvem
E em plácido repouso adormeceu.
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu;
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu. Escreveu o poeta Almeida Rosa.
A vida é luta renhida; viver é lutar. A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos, só pode exaltar. Escreveu o outro grande poeta Gonçalves Dias.
E para aqueles que pensam, “mas tem gente que já nasci rico, nasce em berço de ouro, é privilegiado pela vida”. Para estes que assim pensam, uma pesquisa americana revela que 87% das heranças deixadas pelos pais a seus filhos, não duram 3 anos. Em 3 anos os filhos conseguem evaporar com o que seus pais levaram anos para conseguir. Os ricos de hoje, serão os pobres de amanha.
Uma outra pesquisa revela que, 83% dos ricos de hoje, aos 30 anos não tinham 5% da fortuna que possuem hoje.
Portanto em sua grande maioria os ricos de hoje serão os pobres de amanhã. E por que não acreditar que os pobres de hoje serão os ricos de amanhã.
Mas para isso é preciso mais que apenas querer, é preciso sacrifício, suar a camisa, trabalho com muito amor, é preciso se revoltar. Fazer algo diferente, extrapolar, superar.
E Fialho de Almeida, médico e romancista português, dizia que “em todo o mundo a vida é conflito de duas mentalidades.
Uma que se inspira no passado, (no já conquistado) e é a mais forte; outra que olha o futuro e vive numa fúria perpétua de criar, de quere conquistar. E só consegue criar, conquistar, aquele que não vive das glórias do passado.
A nossa natureza está no movimento; o repouso completo é a morte, dizia Pascal. É necessário esforçar-se, é necessário trabalhar, é necessário consagrar-se, é necessário também sofrer, se revoltar, para se obter um resultado, dizia Antônio Labriol, um escritor Marxista italiano.
Mas não confundamos, revolta com ira, pois a ira queima o entendimento, ofusca a mente. A revolta não tem nada a haver com ira. A ira é própria das pessoas fracas, pessoas de pouca fé, pessoas sem atitude. A ira coloca em nossa cabeça idéias negativas, e idéias negativas nos enfraquece, nos coloca em um barco sem leme, sem rumo, que nos leva para o onde o vento soprar, que geralmente é ao encontro das pedras e do encalhamento.
E lembre-se, a revolta deve estar sempre acompanhada pela razão, jamais pela ira. A revolta de mãos dadas com a razão, leva ao aperfeiçoamento, ao crescimento, leva à nossa melhora.
E uma coisa importantíssima: a razão é resultado de conhecimento, que é filha da educação.